cover
Tocando Agora:

AO VIVO

Bate-papo

      Bem-vindo ao chat

      Patrocinado por:

      Mães de crianças autistas temem interrupção de terapias após prédio do Teamarr ser esvaziado

      Mães de crianças autistas temem interrupção de terapias após esvaziarem prédio do Teamarr Mães de crianças atendidas pelo Centro de Acolhimento ao Autis...

      Mães de crianças autistas temem interrupção de terapias após prédio do Teamarr ser esvaziado
      Mães de crianças autistas temem interrupção de terapias após prédio do Teamarr ser esvaziado (Foto: Reprodução)

      Mães de crianças autistas temem interrupção de terapias após esvaziarem prédio do Teamarr Mães de crianças atendidas pelo Centro de Acolhimento ao Autista (Teamarr), em Boa Vista, afirmam que o esvaziamento da sede do programa e a saída dos profissionais da unidade nesta segunda-feira (6) geraram preocupação com a continuidade das terapias. O Centro é uma iniciativa da Assembleia Legislativa de Roraima (Ale-RR). Entenda: A sede do Teamarr foi esvaziada nesta segunda, após uma comitiva liderada pelo presidente Ale-RR, Jorge Everton (União Brasil), ir ao local e anunciar uma mudança na gestão do programa. A medida ocorreu 12 dias após a exoneração dos servidores comissionados da Casa. Profissionais deixaram o prédio e retiraram materiais utilizados nos atendimentos. Centro de acolhimento a autistas é esvaziado após presidente da Assembleia ir ao prédio Mulheres que têm filhos atendidos pelo Teamarr ouvidas pelo g1 afirmam que a troca da equipe pode comprometer o tratamento dos pacientes, que criaram vínculo com os terapeutas e dependem da continuidade da rotina. Na tarde desta segunda, elas protestaram em frente à Ale-RR contra mudanças no programa. ✅ Clique aqui para seguir o canal do g1 RR no WhatsApp Entre elas estavam a servidora pública Iracema Dias Pernia, mãe de um adolescente de 15 anos atendido pelo Teamarr desde a inauguração, em 2022, e a professora Ubrlande Prazeres, mãe de uma menina de 4 anos, que começou a receber atendimento há cerca de um mês. As duas afirmam que a interrupção dos serviços e a possível troca da equipe podem afetar o desenvolvimento dos filhos. "Cada criança vive o espectro de uma forma única. Então, assim, vai impactar na vida. Até eles se adaptarem com novas pessoas, com novos profissionais, se for esse o caso, vai ser uma quebra [na rotina]", disse Iracema. "A partir do momento que eles tomam essa decisão, sem nem pensar nas consequências, mais de mil crianças ficarão sem atendimento. Agora estão mandando mensagem no celular, querendo informações das crianças, dos pais, sendo que tudo isso tem no Teamarr", acrescentou Uberlande. Outra mãe, Francene Ramera Silva Lima, disse que interrupção das terapias pode causar prejuízos à evolução do filho, de 19 anos, construído ao longo de anos de acompanhamento. "Como ele é não verbal, a gente trabalha muito essa parte para ele se desenvolver. Tem muita coisa que ele ainda não sabe fazer. Ele precisa de muita terapia para poder chegar pelo menos 90%. Hoje ele já gosta de conversar, coisa que ele não gostava", disse. Mães cobraram explicações sobre funcionamento do Teamarr em frente a Assembleia Legislativa de Roraima Tiago Côrtes/g1 RR Enquanto protestavam, equipe da Ale-RR organizou uma reunião com a Superintendente de Programas Especiais, Marília Pinto. No encontro, ela disse às mães que o programa volta às atividades no dias 27 de junho e que vai tentar continuar com as equipes. "Os servidores que estavam no local foram convidados continuarão nessa equipe, se caso quisessem". Responsável pelo Teamarr até então, a deputada Angela Águida Portella (PP), disse em nota ter sido surpreendida com a mudança no programa. Marília Pinto destacou que a comitiva que esteve no prédio foi "apenas conhecer o fluxo". "Se os servidores tomaram a inciativa [de recolher os materiais]. Não foi a Assembleia Legislativa", defendeu. Francene Silva Lima e o filho Ubirajara Lima Tiago Côrtes/g1RR Salas esvaziadas O g1 acompanhou parte da desocupação do prédio nesta segunda e registrou quando profissionais esvaziaram salas, armários, retiraram brinquedos, materiais lúdicos e equipamentos utilizados nos atendimentos. Nenhum servidor que estava no local quis falar com a reportagem. A reportagem apurou que a equipe do presidente chegou por volta das 8h e informou que haveria uma mudança na gestão do Centro e que por isso todos os exonerados deveriam se retirar com os materiais. Policiais militares que atuam na Ale-RR acompanharam a ação. Ao menos 750 famílias são atendidas gratuitamente pelo Teamarr, o que corresponde a mais de mil crianças e adolescentes beneficiados. Criada em 2022, a iniciativa oferta terapias e acompanhamento contínuo para pessoas com Transtorno do Espectro Autista (TEA) no estado. Em nota, a Ale-RR negou que a iniciativa de esvaziar a unidade tenha partido direto do presidente e atribuiu à uma "determinação foi adotada pela deputada Ângela Portella" (leia a nota na íntegra da reportagem). Procurada, Ângela não se manifestou sobre a nota enviada pela assessoria de Jorge Everton. Além disso, a Casa afirmou ainda que houve um planejamento previamente definido e que o programa entra em recesso nesta segunda, em razão do período de férias escolares. "Nesse mesmo intervalo, será realizada uma reorganização do programada na unidade, com duração aproximada de 20 dias, visando melhorar a estrutura e oferecer ainda mais qualidade no atendimento". Destacou ainda que não há previsão para encerrar ou prejudicar o funcionamento do programa Teamarr, mas não detalhou como serão os atendimentos futuros. Procurado, o presidente da Casa não respondeu aos questionamentos do g1 até a última atualização desta reportagem. Durante a desocupação, servidores recolheram pertences pessoais e materiais utilizados nos atendimentos que haviam sido adquiridos por eles mesmos para auxiliar nas atividades no Centro. Muitos dos produtos foram colocados em sacos de lixo. Veja no vídeo acima. A mãe de um paciente atendido chorou ao chegar na unidade durante a retirada dos equipamentos. A deputada Angella esteve na unidade local durante a desocupação, mas não quis falar sobre o assunto. Uberlande Praseres, mãe de uma criança com autismo de 4 anos Tiago Côrtes/g1RR Nota da íntegra da Ale-RR "A Assembleia Legislativa de Roraima esclarece que são improcedentes as alegações de que haja qualquer iniciativa para esvaziar, encerrar ou prejudicar o funcionamento do Programa TEAMARR. O TEAMARR é um programa institucional da Assembleia Legislativa, criado para oferecer atendimento especializado a crianças e adolescentes com Transtorno do Espectro Autista (TEA) e apoio às suas famílias. Trata-se de uma política pública consolidada, que representa uma das maiores iniciativas do Estado voltadas a esse público. Conforme planejamento previamente definido, o programa entra em recesso nesta segunda-feira, dia 6 de julho, em razão do período de férias escolares. Nesse mesmo intervalo, será realizada uma reorganização programada na unidade, com duração aproximada de 20 dias, visando melhorar a estrutura e oferecer ainda mais qualidade no atendimento. A Assembleia também esclarece que a orientação para a retirada de servidores, objetos e equipamentos das dependências da unidade não partiu da Presidência da Casa. Essa determinação foi adotada pela deputada Ângela Portella e o presidente da Assembleia, Jorge Everton, esteve no local para averiguar pessoalmente a situação. O compromisso da Assembleia Legislativa permanece o mesmo: assegurar a continuidade e o fortalecimento do TEAMARR. Atualmente, o TEAMARR atende cerca de 1400 crianças e adolescentes em duas unidades, no bairro São Francisco e no Jardim Tropical. A Assembleia Legislativa lamenta que informações sem fundamento gerem insegurança entre as famílias atendidas por um programa de tamanha relevância social. O compromisso da instituição é com a continuidade dos serviços, a transparência e o cuidado com quem depende desse atendimento." Nota na íntegra Ângella Águida Portella "Na manhã de hoje, fui surpreendida com uma ligação informando que havia uma comitiva da Assembleia Legislativa de Roraima no TEAMARR. Imediatamente, dirigi-me à unidade do Bairro São Francisco, onde fui comunicada que o Centro de Atendimento ao Autista passaria a ter uma nova administração. O TEAMARR é muito mais do que uma política pública. Ele nasceu de um propósito de vida, da minha experiência enquanto avó de uma criança autista com nível 3 de suporte. Assim nasceu meu compromisso de transformar essa vivência em acolhimento para outras famílias atendidas no programa Teamarr, que hoje é uma referência nacional de atendimento. O autismo nunca foi apenas uma bandeira. É uma missão de vida. E não medirei esforços para que a pauta seja tratada com responsabilidade e prioridade e não com uma mera disputa política eleitoral. Ao longo dessa trajetória, expandimos o projeto para duas unidades e oferecemos muito mais do que atendimentos especializados: construímos um espaço de acolhimento, orientação, respeito e esperança às famílias. Esclareço ainda que boa parte dos materiais utilizados diariamente no atendimento às crianças, adolescentes e às famílias pertencem aos próprios colaboradores. Com a saída dos servidores foi necessária a devolução desses itens. Neste momento, reafirmo compromisso com as inúmeras famílias que confiam e acreditam em nosso trabalho. Estou buscando alternativas para em breve podermos continuar nosso trabalho." Iracema Dias, mãe do adolescente Luís Gregório, de 15 anos, que tem autismo. Tiago Côrtes/g1RR Servidores retiraram materiais usados nos atendimentos do Centro de Acolhimento ao Autista (Teamarr) João Gabriel Leitão/g1 RR Sala do Teamarr vazia após saída de servidores e retirada de materiais usados nos atendimentos Lucimar Sobral/g1 RR Materiais usados no atendimento de crianças e adolescentes com autismo foram retirados do prédio Lucimar Sobral/g1 RR Leia outras notícias do estado no g1 Roraima.